sexta-feira, 7 de abril de 2017

Autismo Adulto

Autismo na idade adultaImprimir
Edições - Edicao 2
Escrito por Claudia Coelho de Moraes   
Seg, 02 de Abril de 2012 12:00
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Por Claudia Moraes


Não é nada fácil receber o diagnóstico de autismo para um filho, e, talvez por isso, os médicos tenham encontrado no termo “Autismo Infantil” para facilitar as coisas, uma maneira mais suave de abrandar o golpe, pois dá aos pais, quase sempre leigos no assunto, a esperança de que se é infantil, um dia poderá acabar, já que, afinal, os filhos não serão crianças para sempre. Então, munidos de um sentimento maior, da esperança de que o transtorno não seja tão grave e possa ser revertido, eles se atiram com mais garra às buscas. Esse é um dos maiores mitos do autismo, o da infância permanente.
Estou aqui, juntando  a minha voz a tantas outras vozes que clamam por um atendimento digno aos autistas no nosso país. É urgente e preciso conscientizar a todos da necessidade de intervir rapidamente, para proporcionar ao autista a oportunidade de uma vida mais próxima da normalidade, uma vida mais produtiva e mais independente. As pessoas necessitam saber da proporção que a incidência do autismo vem tomando, hoje de 1 a 150 nascidos, e embora esse seja considerado um número alto, o autismo ainda é um desconhecido para a grande maioria da população. É preciso atentar para a expressividade desse número, bem como ajudar a aumentar a compreensão das pessoas sobre o que é o autismo, principalmente entre governantes, profissionais da saúde, educação e serviço social, ainda tão distanciados das especificidades da síndrome, tão determinantes no dia-a-dia da pessoa com autismo.
Essa tomada de consciência poderá reverter-se em melhor qualidade de vida para autistas e suas famílias, e é isso o que todos nós buscamos. Precisamos revelar o autismo para a sociedade em geral, e esse é um trabalho que já vem sendo feito pelas associações de pais, e nas campanhas pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril) , mas que deverá ser cada vez mais intensificado.
Essa é uma realidade que precisa ser discutida, mas fui convidada a escrever sobre uma condição ainda mais específica, a realidade do autismo em adultos. Comecemos então:

O que é ser adulto?
“Ser adulto, implica entre outros aspectos abordar novas necessidades referentes a autonomia, auto-estima, auto-determinação, trabalho, relações socioafetivas, sexualidade, etc.  Mas, ser adulto implica também que os demais nos vejam como tal. Numa perspectiva social, ser uma pessoa adulta, indica pertencer a um grupo social concreto, no qual existem pautas de comportamento diferentes da etapa infantil ou juvenil. Ests etapa supõe um novo marco de direitos e obrigações; entre eles está o direito ao trabalho e entre as obrigações, a de contribuir para o desenvolvimento da sociedade”. (APADEA - Associación Argentina de Padres de Autistas).

É assim que vemos nossos filhos autistas adultos hoje? É assim que a sociedade em que estamos inseridos os trata?
Há mais de 20 anos, quando comecei a busca por um diagnóstico correto para meu filho, digo correto, porque diagnósticos ele teve muitos, mas todos equivocados, e ele o conseguiu realmente aos 12 anos de idade. Vocês, leitores, podem imaginar quantas lutas tive de travar com o desconhecimento da síndrome, com o preconceito, com a falta de informações, com a falta de atendimento clínico e educacional especializados, com a falta de políticas públicas, enfim, naquela período, éramos poucos pais, sozinhos, contra um mundo que desconhecia o autismo. A proporção de autistas, segundo as estatísticas naquela época, era de mais ou menos 1 a cada 10 000 nascidos, e hoje com a proporção de 1 a cada 150, continuamos ainda travando quase que as mesmas lutas, exceto a da desinformação, pois graças à Internet, à Revista Autismo e a outros meios de comunicação, os pais têm mais acesso às informações para saber realmente aquilo que o seu filho tem.
E é  por haver trilhado um caminho que muitos de vocês ainda não trilharam, pois acredito que a maioria dos leitores seja de pais de crianças, é que estou aqui, para lhes chamar a atenção para a questão do autismo na fase adulta, para dizer-lhes que é preciso conscientizar a sociedade sobre esse tema.
Em seu livro Conscientização, o educador Paulo Freire nos diz que: “quanto mais conscientização, mais se “desvela” a realidade, mais se penetra na essência fenomênica do objeto, frente ao qual nos encontramos para analisá-lo. Por esta mesma razão, a conscientização não consiste em “estar frente à realidade” assumindo uma posição falsamente intelectual. A conscientização não pode existir fora da práxis, ou melhor, sem o ato ação–reflexão. Esta unidade dialética constitui, de maneira permanente, o modo de ser ou de transformar o mundo que caracteriza os homens.”
Isso é o que venho propor, conscientização, para que esta leve à reflexão-ação e possamos juntos mudar a dura realidade de vida que tantos adultos autistas vêm enfrentando, e consequentemente, transformar o mundo que os rodeia.
Há bastante tempo, uma senhora me contou, que ao receber o diagnóstico do filho, o médico lhe disse: seu filho tem Autismo Infantil, e ela como desconhecia o assunto, ficou atordoada no começo, ao receber a notícia, mas depois pensou com seus botões: é uma doença da infância, quando ele crescer tudo já terá passado. Como eu já havia dito no começo do texto, essa foi uma forma de se auto-acalentar, mas só um tempo depois, pesquisando, foi descobrir que o autismo não desaparecia com a infância, que seu filho poderia melhorar sim, mas que continuaria sendo um autista, na adolescência, na idade adulta e na senilidade...
Com o passar do tempo, vem a experiência, e o coração dos pais sempre se aperta quando pensam: o que vem depois? O que será de meu filho quando eu já não mais estiver por aqui?
Uma vez li a seguinte frase: “No autismo o movimento para a vida adulta deve ser como cair em um abismo."
Mas, recordo-me que, ainda no tema abismo”, Nietzsche disse: "Quando você olha muito tempo para dentro de um abismo, o abismo olha de volta para dentro de você."
E essa é uma verdade que nós pais de autistas adultos descobrimos da pior forma: a queda no abismo e os seus questionamentos sobre nós. Com isso estou querendo dizer que a diferença entre os serviços disponíveis às crianças e os disponíveis para os adultos é gritante.
Autistas adultos, de uma maneira geral, não têm acesso ao trabalho; a escola (quando os aceita) já não é adequada; muitos terapeutas passam a não acreditar que eles venham a apresentar melhoras e acham que investir neles é tempo perdido; não há lazer adequado; os pais já estão cansados, envelhecidos e sem o mesmo pique do início da vida. Enfim, tudo fica mais difícil para os adultos.
A falta de residências abrigadas ou assistidas, onde eles possam conviver com outras pessoas de sua idade, e onde os pais possam ter confiança em deixá-los,  tiraria de suas costas o peso de não saber o futuro dos filhos quando eles já não estivessem por aqui. Essa é também mais uma das nuances da dura realidade que as famílias têm de passar.
Charlotte Moore, autora do livro George & Sam (sobre seus dois filhos autistas), diz com muita propriedade que “quando seus filhos estão presos em um mundo de gritos e auto-agressão, você gostaria de receber um tratamento seguro para aliviar os sintomas”, mas que não é o mesmo que “desejar que o autismo desapareça".
Além disso, não é isso que os pais com os pés na realidade do transtorno querem para os filhos, que seus “autismos” desapareçam. Queremos mesmo é a oportunidade de tratá-los, a oportunidade de fazer diferente, de poder abrir-lhes o horizonte.
Como se não bastassem todas sobre os pais, precisamos ainda mostrar às pessoas e principalmente aos governantes (sim, aqueles que nós mesmos colocamos no poder)  que o destino de um autista adulto não deve se limitar a ingerir grandes doses medicamentosas (a fim de tranquilizá-los) e serem colocados em frente a uma TV pelo o resto de suas vidas. Eles podem se tornar adultos independentes e produtivos para a sociedade, e para isso, eles só necessitam de investimento. Um projeto de atendimento ao autista adulto é vantajoso, nossos governantes precisam aprender a olhar a longo prazo. O custo que um autista adulto dá aos cofres públicos, se este for investido num atendimento especializado, é  menor que os gastos com internações constantes ou prolongadas, com medicações excessivas e muitas vezes desnecessárias. Também não devemos aqui olhar apenas o lado do investimento financeiro, mas o investimento na qualidade de vida de cidadãos, que devem ter os seus direitos respeitados. Fornecer apoio e atendimento especializado para melhorar a vida dessas pessoas e suas famílias tem compensação certa ao longo do tempo.
E a nós, pais, caberá o direito que ainda não nos é dado: viver uma velhice sem tantas preocupações em relação àqueles que estaremos deixando neste mundo. Também o direito inalienável de morrer, isto mesmo, eu estou falando sério, “o direito de morrer”, pois até isso nos é negado na atual situação de nosso país com relação ao apoio que deveria ser dado aos autistas no caso da morte de seus pais. É certo que nós, pais de autistas, temos os nossos muitos super-poderes, pois fazemos multiplicar dinheiro para pagar as intervenções, somos polivalentes e multifacetados, temos a propriedade de estar em vários lugares ao mesmo tempo, precisamos de poucas horas de sono, muitas vezes somos pais, terapeutas, educadores, enfermeiros, cabeleireiros, etc. Como diz o Faustão, “nos viramos nos trinta”. Agora, o poder de sermos eternos ainda não nos foi dado, mas, bem que se pudéssemos escolher...
Claudia Coelho de Moraes é mãe do Gabriel, autista clássico de 23 anos, e do Matheus, neurotípico de 22. É professora, graduanda em Pedagogia pela UNIRIO e presidente da APADEM (Associação de Pais de Autistas e Deficientes Mentais de Volta Redonda, RJ) em seu segundo mandato.

fonte:
http://www.revistaautismo.com.br/edicao-2/autismo-na-idade-adulta

Autista Adulto


Sem apoios oficiais autistas adultos não arranjam emprego



Uma das salas do Centro ABC Real Portugal, instituição que trabalha a terapia ABA (Análise Comportamental Aplicada) em que cada criança tem um técnico dedicado. 
Ao contrário do que acontece com as crianças, a partir dos 18 anos quase não há acompanhamento do doente sem ser a família
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Aos 2 anos, Pedro começou a fixar-se nas marcas e nas matrículas dos carros. Deixou de olhar para as pessoas e de dizer "papá" e "mamã". Tinha tido, até então, um percurso normal. Era "lindo, loirinho e perfeitinho". Embora houvesse um caso de autismo severo na família, Lucília Lampreia e o marido nunca pensaram que o problema fosse esse. "Na consulta de desenvolvimento, disseram-nos taxativamente: o Pedro tem autismo, tem um atraso mental e nunca irá falar. Caiu-nos o mundo em cima. O Pedro ainda deve ter na cabeça os gritos que dei naquele momento. Passei meses sem dormir", recorda.
Pedro tem agora 20 anos e frequenta o Centro de Atividades Ocupacionais da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) - Lisboa, onde há psicomotricidade, terapia da fala e ocupacional, ginástica, oficina de tecelagem, jardinagem e outras atividades. Casos como o seu são frequentes - uma em cada mil crianças nasce com uma perturbação do espectro do autismo (PEA) em Portugal -, mas a maioria dos adultos não tem este tipo de acompanhamento. Pais, associações e médicos revelam uma enorme preocupação com a vida adulta das pessoas com autismo, uma condição que pode variar entre ligeira e severa e se caracteriza por dificuldades na comunicação e interação social e por comportamentos, interesses ou atividades repetitivas e estereotipadas.
"A idade de ouro é a infância. Para os adultos existem muito poucas respostas. Não há sítios onde possam estar inseridos na comunidade", lamenta Isabel Cottinelli, presidente da Federação Portuguesa de Autismo. Um dos objetivos do dia mundial da consciencialização para esta perturbação do neurodesenvolvimento - amanhã, 2 de abril - é precisamente sensibilizar a população para a necessidade de integração destas pessoas. "É muito difícil arranjar e manter o emprego, porque têm características que não facilitam a comunicação e a interação social", refere. Só uma percentagem mínima chega à universidade. Com os centros ocupacionais cheios e em número insuficiente, são muitos aqueles que ficam em casa sem fazer nada. Muitos pais separam-se, muitos têm de abandonar os empregos. No que diz respeito aos lares/residências, "a resposta também é completamente insuficiente", frisa Isabel Cottinelli.
Para Eduardo Bizarro, pai de Miguel, de 12 anos, com uma PEA de grau mais severo, "um dos grandes desafios é a chegada dos 18 anos", porque "não há respostas". "Não podem ficar na escola, mas não há sítios para onde possam ir e não há emprego", alerta. Por isso, destaca, é necessário "apostar na educação para que tenham maior autonomia e até emprego". Algo que poderá estar mais perto de acontecer, ressalva, com a implementação de um Modelo de Apoio à Vida Independente para Portugal, que esteve em discussão pública até à semana que passou.
Diagnóstico é 100% clínico
Apesar de existir muita investigação na área das PEA, os avanços são lentos. Não há cura nem medicamentos específicos. Recentemente, surgiram notícias sobre um novo método de análise de biomarcadores metabólicos que permite identificar se uma criança tem autismo, mas, de acordo com os especialistas ouvidos pelo DN, não tem validade. "Não há biomarcadores específicos para esta perturbação no cérebro. Há muitos projetos de investigação, mas estamos longe disso", diz Guiomar Oliveira, pediatria do neurodesenvolvimento e coordenadora da Unidade de Autismo do Centro de Desenvolvimento da Criança do Hospital Pediátrico de Coimbra (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra).
Uma ideia partilhada por Carlos Nunes Filipe, psiquiatra e diretor clínico da APPDA-Lisboa: "O diagnóstico é feito com base na análise do comportamento da pessoa e na história do seu desenvolvimento (linguagem, coordenação motora, comunicação)." Felizmente, prossegue, há cada vez menos casos de crianças não diagnosticadas. De acordo com o clínico, esta é uma perturbação que nasce com os indivíduos e que geralmente só se deteta quando é suposto as competências, como a linguagem, começarem a aparecer.
"Aos 15 meses, a Beatriz não tinha linguagem, mas achámos que podia ser porque estava aos cuidados da avó", lembra Célia Figueira, de Coimbra. Aos poucos, e com o acompanhamento médico, detetaram outros sintomas. Além da ausência de linguagem, não existia contacto visual, resposta ao chamamento, as brincadeiras normais para a idade. "Fomos a uma consulta de desenvolvimento e saímos de lá com um diagnóstico de autismo." E muitas, muitas questões.
Célia via o autismo como "uma coisa horrível", ligada à agressividade. Chegou a casa com a ideia de que podia reverter o processo. "Tinha a esperança - errada - de que o autismo ia desaparecer. Mas não há cura." Isolou-se, não quis partilhar a sua dor. Com o passar do tempo, percebeu que não podia alterar a condição da filha. O caso de Beatriz é moderado. "Tem linguagem espontânea, embora nem sempre correta. Foi adquirindo vocabulário com o evoluir das terapias." Adora inglês, é "craque" na informática. O objetivo dos pais é "torná-la o mais autónoma possível".
Há casos em que há alguma autonomia, como o de Beatriz, e outros em que a dependência dos outros é total, como o de Pedro. Além das dificuldades de comunicação e de interação com os outros, as pessoas com autismo tendem a ser também muito dependentes de rotinas, muito sensíveis a mudanças e muito focadas em determinados objetos ou temas. Associados à PEA estão, por vezes, outros problemas, como a deficiência intelectual ou a epilepsia.
No dia-a-dia, Lucília diz que um dos grandes desafios é ter a paciência para ensinar tudo 10, 20, 30 vezes. "Atar os sapatos, lavar os dentes, vestir-se ou pôr a mesa são coisas que temos de ensinar diariamente", explica. Outro é educar a sociedade, para que Lucília e o filho e os milhares de pessoas na mesma situação não sejam olhados como "extraterrestres" se "há uma estereotipia [movimentos repetitivos] num café", por exemplo. É "tentar ser normal numa sociedade que nos acha extraterrestres."
Prevalência em estudo
Guiomar Oliveira, que também é professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, esteve envolvida num estudo epidemiológico, em 2000, que apontou para uma prevalência de um caso de PEA por cada mil crianças em idade escolar em Portugal. Sendo uma condição crónica, pode admitir-se que nos adultos será semelhante. Mas nos EUA há quem aponte para uma prevalência de 1%, o que a pediatra acredita estar relacionado com muitos "falsos positivos". Dentro de pouco tempo, deverão surgir outros números, já que a região Centro está a participar num estudo europeu que visa apurar a prevalência da PEA.
Segundo a coordenadora da unidade de autismo, Portugal evoluiu muito desde os anos 1990 no que diz respeito ao autismo na infância. Uma das conquistas foram as unidades de ensino estruturado para crianças com PEA nos agrupamentos escolares. Contudo, "um dos problemas é que as equipas nem sempre são especializadas nesta área", que é "diferente das outras" e exige "uma resposta específica". Mas o maior problema, reforça, "é na transição dos jovens para a vida pós-escolar", ao nível de "cuidados de saúde, educação e emprego", uma realidade que "atravessa o mundo inteiro".
A luta pela inclusão é diária. "Já há progressos, mas ainda há muito medo", lamenta Célia Figueira. Guiomar Oliveira diz que a adaptação e inclusão tem de ser bilateral. Os outros têm de saber lidar com o autismo. "Eles não mordem, não batem, não são seres terríveis."

fonte:
http://www.dn.pt/sociedade/interior/sem-apoios-oficiais-autistas-adultos-nao-arranjam-emprego-5763482.html

terça-feira, 4 de abril de 2017

Estereotipias

Autismo: Vamos falar das estereotipias?


Balançar as mãos, bater os pés, girar objetos ou o próprio corpo, estalar os dedos, fazer sons repetitivos… são movimentos de autoestimulação ou também chamados de autorregulatórios, muito comuns em pessoas com autismo. São movimentos que pessoas neurotípicas também fazem, mas de forma menos intensa e têm controle sobre eles. Esse comportamento pode ser motivado para buscar sensações, proporcionar bem estar ou simplesmente pela tendência à repetições, que é uma condição do autismo.
Nossa vontade inicial é tentar conter esses movimentos. Pode parecer que, quando a criança está praticando uma estereotipia, está distraída e não conseguirá se concentrar. Porém, esses movimentos são, na maioria das vezes, inofensivos e podem até ser benéficos para a criança. Ao contrário do que parece, a criança fica muito mais concentrada nestes momentos.
Além disso, alguns momentos sozinha praticando estereotipias, podem auxiliar na na organização dos pensamentos da criança ou também quando estiver em uma situação de estresse. Muitos autistas conseguem pensar e se concentrar melhor enquanto fazem estes movimentos.
A estereotipia precisa ser tratada quando prejudica a criança, como quando ela costuma bater a cabeça, por exemplo. Também precisa ser regulada quando a prática compromete as atividades do dia a dia, restringindo seu aprendizado ou também limitando seu desenvolvimento social. Ou seja, precisa de tempo e local definidos, que a criança consiga visualizar o começo e fim. Ela precisa ter controle destes movimentos. Fazer terapia focada na regulagem da estereotipia pode auxiliar a criança a não ser controlada por esses movimentos, ampliando seus interesses, variando a forma de brincar com um mesmo objeto, ou respondendo de formas diferentes a uma mesma pergunta, por exemplo. Os pais podem contribuir neste processo não deixando a criança ociosa, proporcionando atividades prazerosas durante os horários livres do dia. Lembrando que é fundamental fazer esse processo gradativamente, nunca retirar o hábito bruscamente.
Uma prática que pode ajudar a controlar a estereotipia é utilizar cartões com cores (verde-pode / vermelho-não pode). Quando a criança estiver em uma atividade que não possa fazer seus movimentos, mostrar-lhe o cartão vermelho. Permitir em algum momento, mostrando-lhe o cartão verde e, quando for momento de parar, mostrar o cartão vermelho novamente. Essa tática pode ser adotada na escola ou outros lugares em que a criança esteja, para que pratique o auto-controle. Aos poucos, ela aprenderá a regular sozinha, podendo deixar de lado o uso dos cartões.
É importante também minimizar os estímulos que podem gerar estresse na criança. Muitas vezes, os movimentos repetitivos começam quando ela está em uma situação de estresse. Geralmente, os pais conseguem identificar melhor quais as sensações que a incomodam, como barulhos, cheiros, toques, luzes, etc. Nestes casos, eliminar ou reduzir estes estímulos reduzirá, consequentemente, os movimentos de autorregulação.
Outra dica legal é criar um meio de a criança comunicar que precisa de um tempo. Pode ser por imagem, gesto ou verbalmente, mas que o adulto entenda que ela precisa de espaço. Respeitar o espaço e a vontade da criança é fundamental!