Mostrando postagens com marcador Inclusão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inclusão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

MAPA MENTAL

Holanda, 18 de setembro, 2017

Uma das limitações consideradas como tipicamente autistas é a falta de contextualização em muitas pessoas com TEA(Transtorno do Espectro do Autismo) ou PEA (Pessoa no Espectro do Autismo), como muitos autistas considerados leves gostam de ser chamados. Entender o contexto – e não somente os detalhes – é importante para a compreensão e aplicação de aprendizado no dia a dia, bem como manter uma boa interação social.
Um exemplo: A criança que desempenha bem uma tarefa em casa, mas não na escola, ou vice-versa. Isso acontece porque esta criança pode ter criado seus próprios mapas mentais a fim de organizar o mundo. Uma estratégia de sobrevivência e, portanto, admirável. No entanto, tal resquício também pode encontrar desafios, com o passar do tempo.

Bruno (5 anos) passa o primeiro fim de semana na casa dos tios. No sábado pela manhã, sua mãe entrega uma lista para sua irmã com todas as peculiaridades do filho, inclusive a lembrança de que Bruno nunca comia carne. No domingo, dia de carne assada no almoço, a tia oferece o alimento ao sobrinho, mesmo esperando que fosse recusá-lo. O menino não somente aceitou, como pediu para repetir. Ao buscar o filho no final da tarde do domingo, seus pais reagiram surpresos ao que a tia contara.
Bruno havia criado um mapa mental para as refeições e associara a carne como sendo um alimento que comia fora de casa. Uma vez identificado o problema, o terapeuta fez um planejamento para que Bruno conseguisse “abrir” este mapa mental (alimentação fora de casa) de Bruno aberto, para que fosse generalizado (misturado) com outros mapas (alimentação em casa, na casa da avó, no restaurante, etc.).

  

Um Mapa Mental é um método natural (automático) que muitos autistas – principalmente as crianças – criam para fazer sentido do mundo caótico como, por vezes, é o neurotípico.
Imagine que a vida seja incompreensível para uma criança com autismo e que muitas informações cheguem até seu cérebro em pequenos pedaços (fragmentos). Fragmentações das mais simples às mais complexas: o que deve ela deve fazer, vestir, comer; o que pode e o que não pode de seus cuidadores ou professores. Os autistas mais severos podem ter dificuldades com informações simples como: o que é um gato? Durante um treino ele vê a imagem de um gato branco, mas quando sua mãe aponta um gato preto na rua, e chama de “gato”, ele não compreende. Este é um exemplo de falta de generalização, muito ocorrente no autismo com maiores limitações.


Um dos erros que neurotípicos cometem ao lidar com autistas menos severos é o de achar que subentendem informações. Muitos, sim; outros, não. Independente da capacidade intelectual de uma pessoa com autismo, numa situação mais complexa, ele pode ter grande dificuldade em assimilar o contexto ou de generalizar o que foi dito, visto ou lido. Nesse caso, com certeza irá recorrer a seus Mapas Mentais.
Um Mapa Mental é um histórico de cada situação já experimentada pela pessoa autista e computada na sua maravilhosa mente. Em momentos de dúvida – situação social, comunicação ou durante o exercício de uma tarefa -, ele recorre a esse artifício, “abrindo” o seu arquivo mental – único e intransferível. Quanto mais entendimento – através da maturidade ou de treinamento – menos uso desse arquivo.
Todo nós, seres humanos, autistas ou não criamos nossos Mapas Mentais, onde depositamos nossas experiências e aprendizados. No entanto, enquanto os neurotípicos misturam tais experiências(mapas) o tempo todo, os autistas tendem a categorizá-los mais rigidamente, sem misturá-los.


Fábio (12 anos), Asperger, joga futebol aos sábados num clube da sua cidade. É esforçado e adora jogar futebol. Quando o juiz apita o final do jogo, os colegas vão para a cantina comentar sobre a partida. Fabio, no entanto, pega sua mochila e se dirige à mãe, que o aguardava, perguntando: “O que vamos comer no lanche?”.
Apesar de gostar muito de futebol, Fábio “fecha” o mapa mental ‘Partida de Futebol’, assim que o jogo termina. Os comentários na cantina já não são mais importantes para ele. O menino já está abrindo o próximo mapa – o lanche do sábado. Isso não é um problema, a não ser que torne-se um problema para Fábio e sua família, com o tempo. No caso, o terapeuta pode ajudá-lo a misturar o mapa do futebol com o da Interação Social.

Quando falamos nos Mapas Mentais, falamos também na Coerência Central. A criança afetada por uma Coerência Central não desenvolvida, tende a pensar/deduzir em fragmentos. Em palavras mais simples, seria a incapacidade de assimilar o contexto de uma situação, ou do que é ouvido, lido e visto, diretamente. Entender este processo é imperativo para a boa convivência com uma pessoa autista. A boa notícia é que as pessoas autistas com desafios nesta área, podem ser beneficiadas de um tratamento direcionado por um terapeuta especializado. É de grande importância para isso:

  • Identificar o(s) problema(s)
  • Usar o sistema de comunicação adequado
  • Conduzir o autista para o pensamento generalizado


Identificar o problema
O terapeuta deve elaborar uma análise individual do caso, com base em um minucioso formulário a ser preenchido pelos pais, ou cuidadores da pessoa autista, assim como uma entrevista com os mesmos antes de iniciado o tratamento. Estes devem ser bem específicos quanto aos problemas que o autista apresenta em relação à:
– Rigidez
– Fragmentação na percepção
– Desempenho de tarefas
– Extensão da compreensão generalizada do autista

Usar o sistema de Comunicação Adequado
O terapeuta leva em conta o nível de comunicação da pessoa autista antes de iniciar o tratamento. Isso inclui ser este verbal ou não verbal e sua capacidade cognitiva. É necessário que o terapeuta esteja ciente de que a fragmentação de pensamento é independente da capacidade intelectual de uma pessoa autista. O Q.I. pode ser de grande auxílio para a psycoeducação, porém, não é garantia de que o autista seja tratado com mais facilidade do que um autista com baixa intelectualidade. Um autista verbalmente articulado pode não compreender que tem um problema. Cabe ao terapeuta – e ao desejo da pessoa autista de aprimor sua Interação Social e convívio na sociedade – educá-lo a considerar o contexto de uma situação, ilustrando a importância do mesmo no convívio diário dentro da sociedade.

Conduzir o autista para o pensamento generalizado
O terapeuta deve estar ciente de que a pessoa autista tende a fixar-se em detalhes ao invés de assimilar o contexto. Durante os treinos, ilustre várias situações em que faz-se necessário entender o contexto.
Michael (32), autista de alto funcionamento, é empregado numa empresa onde, aparentemente, seus colegas são neurotípicos. Durante uma reunião, um dos colegas expõe um tópico de interesse geral da empresa. Uma frase envolvendo a palavra “política”, é imediatamente captado por Michael. Ele se distrai durante o resto da reunião, pensando fixamente na situação política do país, inclusive fazendo um comentário irrelevante para a solução da questão apresentada pelo colega.
Michael chega ao consultório do terapeuta com o desejo de compreender o que é dito nesta situação – e outras similares – tal que possa manter o emprego onde tem bom desempenho, mas é frequentemente chamado a atenção pelos colegas e pela direção da empresa.


Compreender como os Mapas Mentais são criados e utilizados pelos autistas é um grande passo em direção à Neurodiversidade. Deve ficar claro para todos que as pessoas autistas não precisam mudar per se, mas podem ser auxiliadas a expandirem seu conhecimento, entendendo como suas mentes funcionam (autoconhecimento) e, sendo assim, a terem o poder de escolha.

N.A.: Nem todas as crianças, adolescentes ou adultos autistas criam mapas mentais conforme especificados no artigo. Sabemos hoje em dia que existem vários tipos de autismo e várias características que nem sempre são comuns a todos.
N.A.1: A Teoria da Coerência Central Fraca tem sido revogada por outros cientistas. A cientista Uta Frith (Alemanha) tem feito mais pesquisas adicionais, cujo resultado encontra-se nas suas últimas publicações. Para mais detalhes sobre esta informação, recomendo o link: 

*Fatima de Kwant é Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação, registrada no Conselho Nacional de Especialistas em Autismo dos Países Baixos.




*A cientista Uta Frith (Alemanha) desenvolveu a Teoria da Coerência Central nos anos 90 e vem aperfeiçoando seus achados desde então. Suas últimas encontra-se nos livros: Autism: A Very Short Introduction (2008) (en)
Fonte:

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Retrato do autismo no Brasil

comunidade usp

Um retrato do autismo no Brasil




A Universidade contribuindo para a cidade
Revista Espaço Aberto - USP
Por Carolina Oliveira
Marcos SantosInformações sobre o transtorno ainda são vagas e pacientes têm dificuldades em obter diagnóstico precoce e tratamento

O dia 2 de abril foi instituído pela ONU em 2008 como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O autismo é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas. São mais de 300 mil ocorrências só no Estado de São Paulo. Contudo, apesar de numerosos, os milhões de brasileiros autistas ainda sofrem para encontrar tratamento adequado.

As incertezas que rondam o autismo
Maria Rita dos Santos e Passos Bueno, professora do IB e membro do Projeto Genoma
Maria Rita dos Santos e Passos Bueno, professora do IB e membro do Projeto Genoma
Apesar de o autismo ter um número relativamente grande de incidência, foi apenas em 1993 que a síndrome foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. A demora na inclusão do autismo neste ranking é reflexo do pouco que se sabe sobre a questão. Ainda nos dias de hoje, o diagnóstico é impreciso, e nem mesmo um exame genético é capaz de afirmar com precisão a incidência da síndrome. “Existe uma busca, no mundo todo, para entender quais são as causas genéticas do autismo”, explica a Professora Maria Rita dos Santos e Passos Bueno, coordenadora do núcleo voltado a autismo do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco do Instituto de Biociências (IB) da USP. “Hoje a eficiência do teste ainda é muito baixa”, afirma ela.
Dessa forma, como ainda não se pode afirmar geneticamente as causas do autismo, usa-se o diagnóstico baseado em observação do paciente (que geralmente apresenta sintomas como dificuldade de comunicação, além de comportamento repetitivo). Contudo, a detecção dos sintomas também não é fácil. “Às vezes é sútil você conseguir fazer essas classificações”, argumenta a professora do IB, “as crianças têm dificuldade de linguagem, de interação social, mas isso é uma variação de comportamento, e é difícil perceber o que é normal e o que não é.”
Diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para melhoria no quadro do paciente autista
Diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para melhoria no quadro do paciente autista
No fim de 2014, os pesquisadores do Projeto Genoma fizeram uma importante descoberta na área: o gene TRPC6 seria um dos genes de predisposição ao autismo e alterações nesse gene levariam a problemas nos neurônios. Indo mais além, chegaram à conclusão de que tais variações podem ser corrigidas com uma substância chamada hiperforina, presente na erva-de-são-joão. Todavia, uma vez que o gene descoberto é apenas uma das possibilidades de causa do autismo, a hiperforina só seria possível como tratamento para aqueles pacientes cujo transtorno provém do TRPC6. “A expectativa é que talvez 1% dos pacientes possa responder positivamente à erva-de-são-joão”, explica Maria Rita. Além da pesquisa, o Projeto Genoma oferece aos pacientes autistas, desde 2001, um serviço de aconselhamento genético. “Estudamos as famílias geneticamente e caracterizamos a parte comportamental. Já atendemos mais de mil pacientes”, afirma a professora.
Como existe uma série de graus de autismo, a intensidade dos sintomas pode variar. “A criança no extremo do espectro tem seu comportamento bastante comprometido, enquanto a pessoa de grau leve pode ser extremamente brilhante”, diz o dr. Estevão Vadasz, professor do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP. “Enquanto alguns não falam nem se comunicam, alguns autistas são muito inteligentes.” Segundo o professor, uma criança pode evoluir se diagnosticada cedo e se submetida a tratamento adequado. “O diagnóstico e tratamento precoces, com a criança de até um ano e meio, é o grande salto nos países desenvolvidos”, afirma Vadasz.

Estevão Vadasz, professor do IPq e fundador do Protea (Programa do Transtorno do Espectro Autista
Estevão Vadasz, professor do IPq e fundador do Protea (Programa do Transtorno do Espectro Autista
Depois do diagnóstico, o tratamento
Uma vez diagnosticado autista, o paciente e sua família enfrentam mais uma barreira: a busca pelo tratamento. As dificuldades residem, sobretudo, na falta de profissionais preparados para lidar com o transtorno, sobretudo na rede pública. Para o dr. Vadasz, o problema começa ainda na formação médica. “Temos centenas de escolas de Medicina, e todas deveriam colocar na graduação o ensino de autismo para pediatras”, argumenta ele.
Vadasz, especialista em psiquiatria infantil, é fundador do Protea (Programa do Transtorno do Espectro Autista), um programa do IPq destinado ao atendimento de pacientes autistas. O grupo é formado em sua maioria por alunos residentes, além de profissionais voluntários, e faz cerca de 400 consultas por mês, utilizando-se de técnicas como a Terapia Dirigida por Cães (TAC). Porém, como o acompanhamento no Protea se dá a longo prazo, hoje o programa não tem condições de atender novos pacientes, se limitando a continuar o tratamento dos já cadastrados. “A demanda de autistas é extraordinária, mas não temos recursos para abrir mais vagas”, afirma Vadasz.
Martha Hubner, professora do IP e coordenadora do Cais (Centro para Autismo e Inclusão Social
Martha Hubner, professora do IP e coordenadora do Cais (Centro para Autismo e Inclusão Social
Atualmente, um dos tratamentos mais seguros no que tange ao autismo é o uso de Terapia Comportamental (TC). “É o único tratamento baseado em evidência científica”, afirma Martha Hubner, professora do Instituto de Psicologia (IP) da USP. Martha dirige o Centro para Autismo e Inclusão Social (Cais), cujo projeto se distingue por não só oferecer tratamento gratuito autistas, mas também por prover aos pais uma espécie de treinamento para lidar com esses pacientes ao longo da vida. “A criança e os pais ficam aqui no Cais aprendendo durante dois anos. Os pacientes melhoram muito, aprendem a falar e a pedir”, comemora. O tratamento é dirigido por alunos de graduação e pós-graduação, focando justamente na área comportamental, e assim, além da prestação de serviço a sociedade, o Cais é também uma ferramenta auxiliar de ensino.
A professora do IP explica que, nos Estados Unidos, um paciente diagnosticado com autismo só pode ser tratado com Terapia Comportamental. No Brasil, embora tal tratamento não seja o único permitido, recentemente um edital foi lançado indicando o uso desse método. Para Martha, ainda vai levar algum tempo até que os profissionais estejam capacitados para utilizar a Terapia Comportamental no tratamento do autismo. “Existe no Brasil um déficit muito grande no trabalho com terapia, sobretudo especializada em autismo”, afirma ela.
Diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para melhoria no quadro do paciente autista
Diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais para melhoria no quadro do paciente autista
Atualmente, um dos serviços públicos que podem ser procurados por pacientes autistas é o Caps (Centro de Atenção Psicossocial), que atende adultos e crianças em regime intensivo com as mais variadas demandas, como alcoolismo e uso de drogas. Os centros são usados no tratamento de autistas justamente por seu caráter intensivo. Contudo, segundo Marcus Sousa, aluno do Cais e funcionário do Caps de Carapicuíba, tais instituições ainda não estão preparadas para lidar com a demanda autista. “Nem sempre a intervenção é bem realizada porque os profissionais não tem capacitação para tratar de autismo especificamente”, explica ele. “Além disso, os trabalhos são feitos geralmente em grupo, o que não funciona com pacientes autistas, que já tem uma dificuldade de interação social.”
Legislação
Em dezembro de 2012, alguns dos direitos dos autistas passaram a ser assegurados pela lei 12.764, chamada de “Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista”. Basicamente, a lei reconhece que os portadores de autismo têm os mesmos direitos que todas os outros pacientes com necessidades especiais no Brasil. Entre outros aspectos, a legislação garante que os autistas podem frequentar escolas regulares e, se necessário, solicitar acompanhamento nesses locais. Em 2007, o Estado de São Paulo foi obrigado, por lei, a arcar com os custos de educação e saúde de qualquer indivíduo com autismo. “O Estado então deve arcar com os custos em centros especializados, e qualquer pai pode recorrer”, explica Marcus Sousa, “mas na prática nem sempre isso funciona”.
Marcus Sousa é um dos alunos participantes do Cais, além de trabalhar no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Carapicuíba
Marcus Sousa é um dos alunos participantes do Cais, além de trabalhar no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Carapicuíba
Portanto, apesar dos relativos avanços na legislação, a inclusão de crianças especiais ainda é difícil. Cassio Garcia é pai do pequeno Rafael, que é autista e paciente do Projeto Genoma. Garcia diz que o filho, de 3 anos, já foi praticamente rejeitado por uma escola particular. “A escola fez o possível para tirarmos ele de lá”, afirma o pai. “A sociedade não está preparada para lidar com crianças especiais.” Marisete Grande, mãe de Rafael e doutora pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), conta que a coordenação do colégio afastava o filho do convívio social para, segundo Marisete, preservar a integridade das demais crianças. “Eles incluem excluindo”, argumenta ela.
O professor Vadasz afirma que, no ano passado, entregou à Secretária da Saúde do Estado de São Paulo um projeto de Centros de Referência para autismo. A princípio, seriam cinco unidades, funcionando gratuitamente com diagnóstico e tratamento integral de 12 horas diárias acompanhado por profissionais de várias áreas. Porém, segundo Vadasz, o projeto está parado devido a disputas judiciais entre prefeitura e Estado acerca de quem arcaria com os custos do tratamento. “Até o fim do ano o Ministério Público decidirá quem é o responsável pelo atendimento. Enquanto isso, os autistas sofrem”, lamenta o professor.

Enquetes

As questões nas reuniões do Conselho Municipal de Política Urbana envolvem, indiretamente, transporte e mobilidade. Em sua opinião, qual item seria prioridade para melhorar o transporte público?
  •  
  •  
  •  
  •  

Dicas de Leitura


A história do jornalismo brasileiro

O livro aborda a imprensa no período colonial, estende-se pela época da independência e termina com a ascensão de D. Pedro II ao poder, na década de 1840
Clique e confira


Fonte:
http://www.usp.br/espacoaberto/?materia=um-retrato-do-autismo-no-brasil

terça-feira, 21 de junho de 2016

Inclusão Escolar

Revista Educação Especial -  UFSM

A inclusão escolar de um aluno com autismo: diferentes tempos de escuta, intervenção e aprendizagens

Carla Andréa Brande, Camila Cilene Zanfelice

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/1984686X3350
Este relato de experiência discorre sobre o trabalho desenvolvido com um aluno autista e sua trajetória nos primeiros anos de alfabetização. Procura, também, abordar os desafios impostos, as práticas desenvolvidas e alguns aspectos do andamento de sua inclusão na escola, com as questões que trazia, as dificuldades encontradas e as estratégias de trabalho criadas. Nesse contexto, é significativo relatar o processo de aprendizagem não somente do aluno, mas também, dos personagens envolvidos – pais, professora, escola – o qual revela momentos de inquietação, reflexão mútua e construção de novos saberes. Este trabalho destaca a experiência da escuta como algo transformador, para todos os personagens envolvidos no processo, por meio da qual é possível nos aproximar, criar, tornar-se outro para construir um novo modo de pensar e agir. Dessa forma, o relato dessa experiência é importante justamente por indicar a construção de alguns caminhos neste trabalho inclusivo na escola.



Palavras-chave: Inclusão escolar. Intervenção pedagógica. Autismo.

Link:www.ufsm.br/revistaeducacaoespecial

Palavras-chave


School inclusion; Pedagogical intervention; Autism.

Texto completo:

PDF

Fonte:

sábado, 28 de maio de 2016

Alfabetização x Autismo



Alfabetização e Autismo

Por Fausta Cristina de Pádua Reis, pedagoga, psicopedagoga, sócia fundadora do Instituto Autismo & Vida e mãe de uma menina com autismo:


É muito comum recebermos aqui no site do Instituto Autismo & Vida, pedidos de ajuda e orientação de pais e profissionais que lidam com questões inerentes à problemática do Autismo. Ficamos felizes pela confiança das pessoas que reconhecem o nosso esforço em compartilhar informação de qualidade acerca da síndrome e à medida do possível vamos respondendo a todos. 


Hoje, queremos compartilhar de uma dúvida que sempre aparece por aqui: a alfabetização da pessoa com Autismo. Eu gostaria de escrever longamente sobre esse tema: Alfabetização x Autismo, fica aqui uma promessa de trazer para o site uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. Neste momento, porém, penso que posso contribuir um pouquinho sem muito aprofundamento, mas pelo menos não deixamos de responder e mostrar o quanto nós pais somos gratos a vocês professores que buscam respostas, que acolhem o desafio de receber e ensinar a uma criança com Autismo.

Bom, a alfabetização está longe de ser um processo simples. Para quem já alfabetiza há muito tempo, pode até parecer que seguindo determinados passos do método X ou Y teremos a garantia de sucesso, mas, na verdade, este complicado processo requer muito mais que estratégias especificas; todos sabemos que ele começa a acontecer lá dentro da cabecinha do aluno desde que ele é um bebê, é um conhecimento tão intrincado, envolve tantas coisas, mas a gente acaba simplificando e acreditando mesmo que é entre os seis e os oito anos que a criança aprende a ler.


A gente sabe que até chegar ao ponto de ler a criança já incorporou um mundo de significados, já tem nome pra tudo, seu repertório de palavras é incrível e ela tem respostas e conceitos que adquiriu e elaborou vivendo intensamente os primeiros anos de vida, olhando, mexendo, planejando seus movimentos e principalmente brincando.

Bem cedo a criança já simboliza. Sim, palavras dão nome a coisas que estão lá na nossa cabeça, lá no mundo imaginário. Quando o bebê é capaz de pensar a imagem da mãe que está distante já começou a simbolizar, aquela imagem mental representa um ser que está distante, que está fora do seu campo de visão. Ao chorar, exigindo a presença física da mãe, começa a desenvolver linguagem.

Palavras representam objetos, isso é símbolo e antes de simbolizar foi preciso observar, direcionar o interesse, vivenciar, guardar na memória, agrupar categorias, depois selecionar pra expressar de forma adequada o que se pensa... De forma que uma criança brasileira de seis anos sabe muito bem o que é uma bala e vai lidar bem com o que lhe diz respeito, mas não sabe nada sobre esqui. A possibilidade dela se dar bem aprendendo sobre a grafia e a decodificação do conjunto de símbolos que expressam BALA é muito maior do que aprender a palavra ESQUI.


Além de aprender sobre o mundo, há muitas outras competências que são desenvolvidas. Para ler a criança tem que ter ritmo, saber que uma palavra se compõe de letras transformadas em som e que um som vem antes do outro. Tem que saber sequenciar e dominar outros tantos conhecimentos, é o que chamamos de pré-requisitos da leitura. Para escrever é preciso desenvolvimento motor, tônus muscular adequado, coordenação e para ambos é necessário saber imitar e se apropriar de forma adequada daquilo que se imita, mas é preciso também ter consciência corporal, definir lateralidade, entre outros.

Não estou tentando "ensinar vigário a rezar a missa", mas antes de falar sobre as dificuldades e peculiaridades da aprendizagem da pessoa com Autismo precisamos deixar claro as lacunas ocorridas no desenvolvimento deste indivíduo.

É comum que as crianças com Autismo em graus diferentes, tenham comprometimentos em todas as competências que antecedem à aprendizagem da leitura e da escrita.

A pessoa com Autismo tem uma forma muito peculiar de ver o mundo, olham de forma diferente para objetos e pessoas, perdem com isso a absorção de mensagens que desenvolvem conceitos sociais e por isso tem dificuldade de interagir. Não sabem o que fazer, como ou porque devem se portar de tal maneira. Boas maneiras não significam nada, são códigos sem sentido que não são fortes o suficiente para segurar o sua ação impulsiva.


Não conseguem muito bem planejar, ou seja, existe um déficit na função cognitiva superior conhecida como Função Executiva e por isso eles têm dificuldades em planejar. Lembrem que para ler eu preciso ser capaz de seguir passos. Usar as letras certas que representam um som (ou mais de um) em uma ordem determinada com um ritmo correto.

Tem dificuldade de comunicação e junto a isso um déficit no desenvolvimento da linguagem - mesmo quando a fala está presente o uso adequado da linguagem para estabelecer um canal competente de comunicação é falho - e também tem um comportamento muitas vezes que privilegia a repetição e a rotina, os movimentos previsíveis (as mudanças não são o seu forte) e tudo isso afeta diretamente a aprendizagem acadêmica tão abstrata e muitas vezes incoerente.

Se a gente estuda sobre os déficits do desenvolvimento infantil no Autismo fica mais fácil entender o porquê das dificuldades.

O que uma criança típica aprende e desenvolve naturalmente, a criança com Autismo precisa ser orientada com persistência para fazer. Por isso é preciso pensar em desenvolver tudo o que está imaturo, portanto uma avaliação seria perfeita, mesmo se for feita por um professor baseado na sua experiência alfabetizadora.

Primeiramente, precisamos trabalhar muito mais seleção, classificação, consciência corporal, orientação espacial, coordenação viso-motora, ordenação temporal, sequência lógica. Tudo de forma adequada àquele sujeito. Geralmente as técnicas comportamentais dão muito resultado. Isso significa estruturar o que será ensinado com uma rotina visual, elogiando muito os acertos, ignorando os comportamentos inadequados. Aqui, vale lembrar que ignorar o comportamento não significa ignorar a criança e que é preciso separar o comportamento da criança: “você é legal, mas este comportamento não é legal”. 


É fundamental fazer valer todas as possibilidades de contato e isso acontece mais quando usamos o universo de interesses da criança. Quando se sentem respeitados, as crianças com Autismo sempre respondem positivamente.


Temple Grandin, autista, escritora, PhD, profissional mundialmente respeitada, nos conta que é uma pensadora visual e que pensa por meio de imagens. Segunda ela, a generalização de conceitos é um problema que enfrentou, pois algumas aprendizagens que são descoladas do seu dia-a-dia e não parecem fazer sentido e por isto não são incorporadas facilmente. Por isso, estabelecer relações com o universo de interesses é uma garantia de sucesso.

Quanto mais visual pudermos direcionar as estratégias de ensino mais certo será a compreensão. Parece difícil, mas é preciso, sobretudo, estabelecer metas, eleger estratégias e acreditar que eles podem, do jeito deles eles são capazes de aprender qualquer coisa.

Particularmente, tentei três métodos de alfabetização com minha filha e só agora ela começa a demonstrar o que para ela parece fazer mais sentido: o método fônico. Desta forma, não existe o método que seja mais eficaz ou mais indicado para quem tem Autismo.

Assim, como muitas crianças com desenvolvimento típico, a pessoa com Autismo vai se adequar melhor a um ou a outro de acordo com seu perfil. Leitura global, método silábico, abordagem Montessoriana, método fônico... Com a valiosa ajuda da informática ou por meio de blocos de madeira ou mesmo com um alfabeto móvel. Uma mistura de abordagens ou aquela que você mesmo acabou desenvolvendo. A verdade é que sua crença na capacidade de aprendizagem desta pessoa é que vai verdadeiramente valer como elemento de sucesso e te garanto: a sua satisfação fará valer a pena este desafio!


Fonte:

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

DIREITO À INCLUSÃO

IMPORTANTE VITÓRIA PARA A INCLUSÃO!

Por Autismo e Realidade              Publicado em 18 de novembro de 2015

IMPORTANTE VITÓRIA PARA A INCLUSÃO

O Supremo Tribunal Federal acaba de NEGAR A LIMINAR requerida pela CONFENEN — Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino para tentar desobrigar as instituições privadas de ensino da obrigação legal de garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena, sem a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento dessas determinações.
Fonte: Heloisa Bloisi
http://autismoerealidade.org/noticias/importante-vitoria-para-a-inclusao/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A literatura infantil adaptada na educação inclusiva: 
alternativas de inclusão para o aluno autista numa perspectiva sociocomunitária

Bianca Scalon Peres de Paula*1

Introdução

Quando se considera uma prática inclusiva na Educação Especial, há que se pensar nas
especificidades de cada aluno, para que esse não esteja apenas inserido no ambiente físico da
escola, mas que faça realmente parte desse contexto e das interações necessárias para que uma
educação de qualidade se efetive. Levar em conta as especificidades dos alunos requer uma
prática apoiada na reflexão sobre os processos de ensino-aprendizagem, a sensibilidade à
diversidade de modos de ser, e à criação de estratégias didático-pedagógicas que se mostrem
capazes de bem sucedidamente fazer com que o fundo de conhecimentos socioculturalmente
construídos por uma coletividade seja compartilhado pelos alunos, incluindo aqueles com
deficiências. que mesmo que essa prática não nos conduza diretamente a uma escola
inclusiva, nos auxilia a vê-la mais próxima.
Quando se parte do princípio de que cada aluno é único e, dessa forma, constrói sua
própria aprendizagem de uma maneira também única, percebe-se que não é possível utilizar
somente um caminho no processo de ensino-aprendizagem. Pensando na potencialidade de
cada aluno, nas áreas nas quais ele se destaca e, também, nas quais é necessária a intervenção
pedagógica adequada para que uma nova potencialidade se revele, é preciso que adaptações
sejam feitas, tanto nos materiais utilizados, quanto na organização do processo de ensino.
Segundo Sassaki (2005), quando aplicados corretamente os princípio da educação
inclusiva, ampliam-se as formas de aprendizagem de todos os alunos, uma vez que novas
metodologias e intervenções diferenciadas e individualizadas, com todos os alunos, se fazem
necessárias.


*Pedagoga especializada em Educação Especial, mestranda em Educação, pesquisadora vinculada ao CAIPE Conhecimento e análise das intervenções na práxis educativa sociocomunitária .
E-mail: bsaperes@gmail.com

Para ler mais:
http://www.revista.unisal.br/ojs/index.php/educacao/article/view/326/284