terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mercado de Trabalho

Revista Isto é

COMPORTAMENTO

[Reportagem postada por  Rachel Costa


Autistas chegam ao mercado de trabalho

Como o maior conhecimento sobre o transtorno, terapias adequadas e diagnóstico precoce têm permitido às pessoas com autismo trabalhar


CONQUISTA
Fernanda Raquel desenvolveu a habilidade de desenhar para se comunicar.
Hoje trabalha como ilustradora
Um cenário impensável no passado. Na empresa dinamarquesa de testagem de softwares Specialisterne, 80 dos 100 funcionários têm autismo. Uma das pioneiras na contratação de mão de obra autista, ela é um exemplo do grande avanço ocorrido nos últimos anos no universo das pessoas que convivem com esse transtorno. Com a melhor compreensão sobre a síndrome, os autistas têm deixado a clausura do espaço privado e ganhado o espaço público. “O autismo é um conjunto muito heterogêneo de condições que têm como ponto de contato os prejuízos nas áreas da comunicação, comportamento e interação social”, explica o neurologista Salomão Schwartzman. Se durante muito tempo se falou apenas dessas dificuldades, atualmente começam a ser discutidas as habilidades associadas e como isso pode ser aproveitado em diferentes profissões. Tanto que já há uma primeira geração a chegar ao mercado de trabalho. “Eles têm boa memória, uma mente muito bem estruturada, paixão por detalhes, bom faro para encontrar erros e perseverança para realizar atividades repetitivas”, disse à ISTOÉ o fundador da Specialisterne, Thorkil Sonne.
Sonne resolveu investir no filão após o nascimento do filho autista Lars, hoje com 14 anos. A aposta deu tão certo que a empresa abriu unidades na Islândia, Escócia e Suíça e tem servido de inspiração para outras iniciativas. O empresário calcula entre 15 e 20 os projetos inspirados na matriz dinamarquesa em todo o mundo. Um deles é a Aspiritech, nos Estados Unidos, que, desde o ano passado, funciona com 11 engenheiros autistas trabalhando no teste de softwares. “Desde a década de 80, pesquisas mostram que essas pessoas têm uma capacidade muito maior de perceber pequenos detalhes visuais”, falou à ISTOÉ Marc Lazar, da Aspiritech. “Em testes para medir essa habilidade, eles cumprem o desafio em 60% do tempo gasto pelos demais e com grande acurácia.”
Para se chegar à observação dessas qualidades foi preciso superar um erro de interpretação. “Por muito tempo, o autismo foi encarado como uma deficiência intelectual”, diz Adriana Kuperstein, diretora da Re-fazendo, assessoria educacional especial de Porto Alegre. O que se percebeu posteriormente é que em apenas alguns casos há a associação com deficiências intelectuais. Muitos autistas têm o intelecto preservado, vários com inteligência superior à média, mas não conseguem interagir porque não sabem usar os canais normais de comunicação.
img.jpg
CONFIANÇA
O dinamarquês Thorkil Sonne tem uma empresa que explora as habilidades dos autistas
“É como um computador sem os softwares necessários para realizar determinada tarefa”, compara a psicóloga Alessandra Aronovich Vinic, que pesquisa autismo. Em seu consultório, ela aplica o método do treino das habilidades sociais. Seus pacientes aprendem, por exemplo, a reconhecer as feições relacionadas a sentimentos, como tristeza e alegria, ou a fixar o olhar no outro enquanto conversam. Pode parecer prosaico, mas faz toda a diferença para quem tem autismo. “As pessoas se comunicam visualmente o tempo todo”, fala Júlia Balducci de Oliveira, 23 anos. Para a jovem, não conseguir olhar nos olhos era uma fonte de angústia só superada com terapia. Formada em cinema, hoje Júlia trabalha na direção de um documentário sobre o autismo.
Atualmente se sabe que quadros mais discretos também se incluem no chamado espectro autista, com boas possibilidades de tratamento. “Mas há 30 anos somente pacientes muito graves eram diagnosticados”, explica Ricardo Halpern, da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Eles eram internados, sedados e alijados do convívio social.” A delimitação desse grupo maior de pessoas aprimorou os métodos de tratamento. “As intervenções começaram a ser feitas mais precocemente, gerando maior inserção social”, disse à ISTOÉ o brasileiro Carlos Gadia, professor do departamento de neurologia da Universidade de Miami e diretor-médico da ONG Autismo&Realidade. Os principais beneficiados foram os pacientes de quadros mais leves.
Foi o caso da jovem Fernanda Raquel Nascimento, 18 anos. A terapia ajudou a jovem a vencer os obstáculos que encontrava para interagir. Também progressivamente ela transformou em profissão o que era uma de suas formas de comunicação, o desenho. Hoje ela comemora seus primeiros trabalhos de ilustração para a Livraria Saraiva, em São Paulo. “Com o dinheiro, quero cursar faculdade”, diz. A jovem ainda trabalha em casa, mas o objetivo é que passe a dar expediente no escritório. “Ela realiza um trabalho de alta qualidade e com um ótimo atendimento da demanda”, fala Jorge Saraiva, proprietário da rede de livrarias. Depois do contato com Fernanda, a empresa iniciou um plano para a contratação de pessoas com diferentes tipos de transtorno, entre eles, o autismo. Que se torne um cenário comum. 


Funções neuropsicológicas

FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS NO AUTISMO: MEMÓRIA E ATENÇÃO

O Autismo é um conjunto de transtornos que se apresentam de forma bastante singular. A forma heterogênea deste transtorno, provavelmente, deve-se a soma de fatores etiológicos, ambientais e genéticos. Sendo que a diversidade de patologias associadas ao Transtorno do Espectro Autista enfatizam a ideia de que o conjunto de sintomas podem ser secundários a importantes alterações funcionais do cérebro.
Para entendermos essas alterações, devemos saber sobre as funções neuropsicológicas:
- MEMÓRIA
- ATENÇÃO
- FUNÇÕES EXECUTIVAS
Para ler todo conteúdo, acesse:

Cognição - Autismo

Funções Cognitivas no Autismo





PERFIL COGNITIVO E NEUROPSICOLÓGICO NO AUTISMO

Perfil intelectual: no autismo, é a sua irregularidade. Normalmente, eles apresentam melhor desempenho em tarefas que exigem processos perceptivos, de memorização ou mecânicos e pode ser mais difícil em aqueles que exigem raciocínio, abstração e interpretação. 70% dos autistas apresentam algum grau de retardo mental

Memória: No geral, os estudos não apontam alterações nas memórias de curto prazo. A repetição das ações podem ser indicativo da memória particularmente da semântica, que está ligado ao significado e ao sentido. 

A atenção não apresenta um déficit generalizado e, na verdade, existe uma boa capacidade focada e sustentada permitindo-lhes realizar atividades de forma repetitiva.. Suas dificuldades são, sim, para atender os certos estímulos ambientais, para desligar-se deles e chamar a atenção para a base em requisitos exógenos. Alguns autores têm falado de dificuldades de atenção social, seletiva, que iria explicar o fracasso na atenção conjunta e a tendência de prestar mais atenção aos objetos do que as pessoas.

O desempenho perceptual é muitas vezes caracterizada por um nível de normal ou mesmo acima de processamento visual normal. Ainda assim, esse tratamento tem peculiaridades, pois ele tende a se concentrar nos detalhes do estímulo, para o detrimento da interpretação geral do mesmo.

A percepção sensorial é muitas vezes atípica, o que explica hipo ou hipersensibilidade de muitas dessas pessoas a certos estímulos. Em alguns casos, por exemplo, existe uma hipersensibilidade a certas frequências de som ou luz, resultando em estímulos aversivos, enquanto existem os Hipo ou insensibilidade à dor (automutilação - comportamentos prejudiciais). Esses padrões de percepção sensorial, também tem a ver com a rejeição de contato físico e a atração pelas estereotipias, que muitas vezes desempenham um papel importante na auto - estimulação/regulação.

Praxia É a capacidade de realizar atos intencionais, gestos complexos, voluntários, conscientes e envolve também o entendimento da ordem para fazê-lo ou a decisão de tomá-lo. 
No autismo: Crianças autistas mostram alterações e dispraxias motoras, entre elas estão: andar na ponta dos pés, marchar de forma irregular e apresentar estereotipias. Apresentam déficits na preparação e no planejamento da resposta motora. Uma outra grande dificuldade está relacionada a imitação. Crianças com autismo imitam menos e apresentam uma maior dificuldade na imitação corporal sem o uso de objetos. 

Linguagem: O prejuízo linguístico no autismo envolve problemas de comunicação não-verbal e verbal (fonológico, gramatical, semântico e pragmático). No aspecto semântico existe a dificuldade em entender a representação das palavras e das frases. Nos aspectos pragmáticos da linguagem, há prejuízo de compreensão e uso da linguagem, dentro de um contexto social. 

FUNÇÃO EXECUTIVA: dificuldade no planejamento de estratégias de resolução de problemas para a execução de metas. Dificuldade em algumas áreas cognitivas influenciam diretamente a interação com o outro. 

 http://drauziovarella.com.br/
centroactivamente.wordpress.com
Funçoes Cognitivas -Luana Lindoso Passos

Fonte: http://creativeideias.blogspot.com.br/2016/06/funcoes-cognitivas-no-autismo.html